Após morte e estupro de menina Yanomami, 25 indígenas da comunidade desaparecem

Por Martihene Keila

Uma menina indígena de 12 anos, foi estuprada e morta por garimpeiros no dia 25 de abril e a tia, mais outra criança de 3 anos, foram atacados pelos mesmos após tentar evitar a ação dos criminosos. Na ocasião, a criança se perdeu no rio e o corpo está desaparecido até hoje.

Após a denúncia realizada pelo presidente do Conselho Distrital de Saúde Indígena Yanomami e Ye'kwana (Condisi-YY), Júnior Hekurari Yanomami, as autoridades visitaram o local para apurar informações sobre o crime.

De volta ao local do crime, na última segunda-feira (2), Hekurari não encontrou os indígenas e a comunidade estava queimada. Sumiram 25 Yanomami e não se sabe o paradeiro de nenhum.

Suspeita-se de que foram os garimpeiros que atearam fogo no local, mas não é descartada a possibilidade de que o grupo tenha migrado para outro espaço após a morte das crianças.

Esse não é o primeiro fato de estupro e morte entre os Yanomami, aliás, não é no Brasil. Há mais de 500 anos, indígenas sofreram barganha, estupro e escravização em nome da Terra de Vera Cruz. O Brasil que vivemos foi construído em cima da morte dos povos indígenas. Morte da cultura, da língua, das pessoas e também da terra.

Agora, em mais de cinco séculos depois, à vista da sociedade “evoluída” de hoje, os povos que habitam na maior reserva do País continuam morrendo. Morrem de malária, de fome, de abusos, de assédio e do ego. E a gente? A gente morre de vergonha por não termos evoluído ainda.

No dia 11 de abril, garimpeiros foram denunciados por exigirem sexo com mulheres e crianças Yanomami em troca de comida. Três adolescentes de até 13 anos de idade, foram a óbito após o abuso. Em um outro momento, um garimpeiro ofereceu drogas e bebidas a indígenas e após embriagar a todos, estuprou uma das crianças. Há ainda denúncias de “casamentos” arranjados entre adolescentes e criminosos.

Até agora, nenhum criminoso foi preso. E sobre os 25 yanomami desaparecidos, cadê?